Passeava por um bosque sujo e quieto
Fumando meu cigarro amassado
Com um palitó amarrotado
Enquanto um mendigo bem vestido me pedia um trocado
E falava para mim esquecer o passado
Mal tirei o dinheiro do bolso quando me colocou as mãos em meus ombros
E falou que em uma vida louca levamos tombos
E que amava falar com os pombos
E me disse sobre uma vida passada
Em que namorava girafas
E que uma delas lhe disse:
"Você não vê o que vejo. Lá no topo da montanha; um escorrimento de gelo maravilhoso..."
E no instante a topeira lhe disse:
"Mas vejo o que acontece por baixo de seu nariz, posso me banhar em um lindo chafariz, e tirar fotos com turistas estranhos dizendo: XIS!"
A girafa deixou-se escapar uma grossa lágrima de seus olhos, onde um pingo inundaste um mundo inteiro.
Quando eu já ia saindo de perto do mendigo ele me olhou dentro dos olhos e disse com ar de refúgio:
- Foi aí o início do dilúvio.
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