quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Um nada que não precisa de mais nada

Pra que muita coisa?
Para o quê muita coisa?
Podemos folhear as folhas
Torna-las uma bolha
E fazê-la sorrir.
E nem precisa muita coisa
Apenas uma mulher doida
Aconchegada em uma mesa de bar
Espalhando sorriso à qualquer um que passar.
Mas por quê eu iria querer mais alguma coisa?
Existe um bêbado sábio, verdade.
Que nos dá conselhos devido à sua alta idade.
E que cidade...
Que espalha sentimentos
Alguns bons outros ruins
Uns desfrutam fodendo as narinas
Outros desfrutam fodendo os rins.
E pra que outra coisa?
Eu posso ver tudo isso e até escrever em uma losa
Que a vida passa desesperada
E que eu não preciso de mais nada...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A moça Vida

A madrugada feliz é longa, perto de um dia maldito.
As conversas interessantes encantam. (É melhor que conversa de hospício)
A sombra de uma ideia constrói satisfação, e bastante.
A madrugada traz sede, que não se mata com refrigerante.
Nos quartos fechados se pode sentir alegria
Nas redes sociais se pode ver simpatias 
Nos baldes e bicas que a vida nos dá
Nós procuramos alegria e sabemos de onde tirar.
Ahhhh! A vida sempre nesse leva e traz
A moça sempre me traz surreais
Ahhhh! Mas a vida sempre nos satisfaz
A moça sempre dança, compunha e canta demais...
Em um certo dia, dois amigos conversavam em uma casa apertada. O lugar era escuro, não se via nada por lá. Havia muito sangue espalhado naquela casa. Havia vários cabos de energia jogados por lá. E já fazem 18 anos que eles estão presos por lá, porém nunca encontram um jeito de sair. Todos conhecem esta história. Pois não são somente esses dois amigos que ficam presos. Muitos e muitos estão presos em casas apertadas. E eles já estão cheios disso. Muito cheios. E a casa também tem um nome: saco.

E o caroço da vida surge em mais um verso maldito
E um esboço da menina faz mais um dia bonito
E a cara lavada pede um pouco de barro
E o empresário exausto não quer mais andar de carro
O porco não quer mais comer
A viúva não quer mais chorar
O santo não quer abençoar
A igreja não quer mais louvar
É só você, tempo
Que continua a passar...
E nessas madrugadas quentes
Vemos o quanto somos diferentes

O bairro

Era só mais um bairro normal
Onde as crianças se molhavam nas poças do quintal
Era só mais um dia normal
E as crianças dançavam para espantar o mal
E era só mais um dia normal
Onde as crianças observavam o bem como o mal
E eu era só mais um andarilho
Andando em calçadas de sentimentos
Quando fui atacado por um turbilhão de cata-ventos
Onde levou embora aquele pensamento
De que era apenas um bairro normal
Agora é só mais um bairro banal
Onde as crianças esquecem o carnaval
Onde as meninas xingam as mães
Onde os meninos mostram o pau
Onde os meninos gozam nos pães
Onde as meninas só querem anal
Era normal
Agora é banal
Mas pro nosso povo não importa o mal
Aliás, já chegou o carnaval?

domingo, 23 de dezembro de 2012

Querem saber da vida?
Pois então lá vai:

- Olá, meu nome é Rogério. Mas todos me chamam de Roberto. O porque? Bom, o por que eu não sei... Meu amigo Rodrigo diz que tenho cara de Ronaldo. E na verdade Ronaldo era mesmo pra ser o meu nome. O meu pai se chama Roger, e ele sempre me chama de Rocambole. Então, penso se sou gostoso de comer. Mas, voltando ao assunto, eu queria mesmo era me chamar Rodolfo. Pra esquecer todo este sufoco - disse espantoso - presente em um simples esboço! (Exclamou enquanto suava.)

Espírito natalino
No cu de argentino
Largo e pequenino


Queria uma dose de vida
Uma dose de volta
E uma dose de ida.
Queria recuperar da recaída
Voltar daquela partida
Para mais uma dose de pinga
Pinga e para
Para e pinga
Quando agita estou cansado
Quando dorme estou inquieto...
Queria uma dose de movimento uniforme
Para minha mente descansar enquanto dorme
E trabalhar enquanto corre.
Apenas uma dose...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Biquíssimo

As vezes é lindíssimo
Mas as vezes é preciso pagar o dízimo
Para enriquecer mais uma família
E empobrecer outra.
As vezes é diviníssimo
Mas as vezes é porquíssimo
O fato de viver uma vida
Para esquecer a sua.
As vezes é tristíssimo
Mas tem vezes que é magnífico
Correr em um gramado limpo
E sujar os pés de alegria.
As vezes é inteligentíssimo
Mas as vezes é ignorantíssimo
Pensamentos vagos
E viajados do dia-a-dia.
As vezes é uma ideia dos capacitadíssimos
Mas as vezes está biquíssimo
Viver num abismo
Por culpa de um simples cisco
Na vida que existe em nosso circo...

A paz

Casos, coisas da vida
Passos, encontros, desencontros
Escombros.
Tapas na cara
Cafunés.
A vida nunca decide o que quer...
O mar sempre traz uma mulher
Encantadora, de fato.
A sorte é de quem conhece a mulher
Vinda do mar
Maravilha de amar
Totalmente platônico.
A mulher que digo vem vestida de branco
Descalça, sem tamanco
E só pode tê-la quem à deixa sentar no banco
Ao seu lado
E a presença só é notada
À quem também está sem sapato...
Totalmente descalço
De impurezas...
Um canto perdido
Um canto achado
Um pedaço em cima
O outro derrubado
Um leite no copo
O outro derramado
Um pé de chinelo
O outro de sapato
Um pedaço está certo
O outro está errado
Mas os dois se juntaram
E ficou misturado
Metade aceso
Metade apagado
Metade-metade
Tipo cigarro...